A
transferência para uma unidade especializada chegou a ser solicitada, mas o
bebê não resistiu
Em
menos de 48 horas, duas crianças de Medicilândia, no sudoeste do Pará, morreram
antes de conseguirem transferência para o Hospital Regional Público da
Transamazônica (HRPT), em Altamira, unidade de referência para atendimentos de
média e alta complexidade na região.
Oprimeiro
caso ocorreu com um recém-nascido que apresentava quadro de insuficiência
respiratória e necessitava de internação em uma Unidade de Terapia Intensiva
(UTI) Neonatal. A transferência para uma unidade especializada chegou a ser
solicitada, mas o bebê não resistiu e morreu no Hospital Municipal de
Medicilândia na última quarta-feira (3/6).
O
segundo caso envolveu uma criança de apenas 9 meses de idade. Inicialmente, ela
recebeu atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Altamira, mas
precisou retornar à unidade após agravamento do quadro de saúde. Após avaliação
médica, foi diagnosticada com bronquiolite.
Devido
à gravidade do caso, a criança foi entubada na tarde desta quarta-feira (3) e
teve solicitado um leito no Hospital Regional da Transamazônica. No entanto,
antes que a transferência pudesse ser realizada, a criança morreu ainda na UPA
de Altamira.
As
duas mortes provocaram forte repercussão nas redes sociais, onde moradores de
Medicilândia e de outros municípios da região questionaram a falta de leitos
disponíveis para atender pacientes em situação crítica.
Uma
internauta utilizou as redes sociais para cobrar providências das autoridades
de saúde.
“Até
quando vamos aceitar? Essa criança que morreu em Medicilândia por falta de
leito no Hospital Regional da Transamazônica. Isso não é apenas uma tragédia
familiar, é um grito de alerta para todos nós.
No
Pará, vidas continuam sendo perdidas por falta de atendimento digno. Não
podemos normalizar o descaso. Cada silêncio fortalece a injustiça.
É
hora de levantar a voz, exigir respeito e lutar por uma saúde pública que
proteja nossas crianças e nossas famílias.
Nenhuma
vida deveria ser interrompida por falta de um leito”, escreveu.
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| Reunião realizada em 29 de outubro de 2025, em Altamira, durante a qual foi anunciada a ampliação do Hospital Regional Público da Transamazônica. |
Na
ocasião, durante entrevistas à imprensa local, foi informado que as obras
seriam iniciadas de forma imediata e que a previsão era de que os novos leitos
estivessem disponíveis para atendimento até junho deste ano.
No
entanto, com a chegada do prazo anunciado, moradores relatam que apenas
serviços iniciais de escavação foram realizados no local. Inaugurado em
dezembro de 2006, o Hospital Regional da Transamazônica nunca passou por uma
ampliação estrutural significativa, apesar do crescimento populacional e da
crescente demanda por atendimentos especializados em toda a região do Xingu e
da Transamazônica.
Até
a publicação desta reportagem, as autoridades competentes ainda não haviam se
manifestado oficialmente sobre os dois casos envolvendo crianças que morreram
antes de conseguirem atendimento no Hospital Regional Público da
Transamazônica, em Altamira. O espaço permanece aberto para manifestações e
esclarecimentos por parte dos órgãos responsáveis.
Por
Wilson Soares
Fonte: A Voz do Xingu







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