Presidente
concedeu entrevista ao canal UOL nesta quinta-feira (5)
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| fOTO: FABIO RODRIGUES-POZZEBOM/AGÊNCIA BRASIL |
Enquanto
o governo prepara um projeto de lei para acabar com a escala de trabalho 6 por
1, o presidente Lula defende mais tempo de vida a trabalhadores e trabalhadoras
do país. Segundo ele, os avanços tecnológicos otimizam a produtividade.
"Com
os avanços tecnológicos que o Brasil teve, acha que é necessário as pessoas
trabalharem na mesma jornada que trabalhavam há 40 anos atrás? Quem viveu no
mundo do trabalho, como eu, sabe que hoje a juventude e as mulheres querem mais
tempo para estudar, mais tempo para cuidar da família. O governo tem que
estabelecer uma discussão com o Congresso Nacional, com o empresariado e com os
trabalhadores, e fazer aquilo que é possível. O dado concreto é que está na
hora da gente fazer uma mudança na jornada de trabalho deste país."
A
declaração foi feita durante entrevista ao canal UOL, nesta quinta-feira (5).
Na conversa, o presidente também comentou o caso do Banco Master e confirmou
ter recebido o dono do banco, Daniel Vorcaro. Lula relatou o que foi conversado
e disse esperar encontrar os responsáveis pelo que chamou de “rombo”.
"E
ele então me contou que estava sofrendo uma perseguição, que tinha gente
interessada em roubar ele, que não sei das contas e tal. O que eu disse para
ele? Não haverá posição política pró ou contra o Banco Master. O que haverá
será uma investigação técnica feita pelo Banco Central. Não me importa que
envolva político, não me importa que envolva partido, não me importa que envolva
banco. Quem tiver metido nisso vai ter que pagar o preço da irresponsabilidade
de dar o rombo, talvez o maior rombo econômico da história deste país."
Além
de outros assuntos, Lula confirmou a visita oficial aos Estados Unidos,
prevista para março. Enquanto os Estados Unidos mantêm o presidente
venezuelano, Nicolás Maduro, na prisão, Lula afirmou que a principal
preocupação é com a democracia no país vizinho, tema que pretende tratar com o
presidente norte-americano, Donald Trump.
"A
preocupação principal é o seguinte: há a possibilidade de a gente fortalecer a
democracia na Venezuela e o povo da Venezuela, 8,4 milhões de pessoas que estão
fora voltar para a Venezuela? Há condições de fazer com que a democracia seja
efetivamente respeitada na Venezuela e o povo possa participar ativamente? O
que está em jogo é se a gente vai melhorar a vida do povo ou não. O que está em
jogo é se a Venezuela vai voltar a produzir 3,7 milhões de barril de petróleo
por dia e não 700 como produz hoje."
Outro
assunto que o presidente Lula sinalizou que vai conversar com Trump é o
Conselho de Paz, para o qual foi convidado pelo presidente norte-americano a
fazer parte. O presidente disse que é contra o conselho tratar das questões da
Venezuela. Ele defendeu que o foco esteja na reconstrução da Faixa de Gaza, com
espaço para representação palestina.
"Se
o Conselho for para cuidar de Gaza, o Brasil tem todo o interesse de
participar. Agora, é muito estranho que você tenha um conselho e você não tenha
um palestino na direção desse conselho. É muito estranho que a proposta que foi
apresentada de reconstrução de Gaza é mais um resort do que reconstrução de
Gaza. Eu quero saber quem é que vai reconstruir as casas, os hospitais que
foram detonados, porque a vida de 75 mil mulheres e crianças não retornarão
mais. O Brasil tem todo o interesse de participar, mas é preciso que os
palestinos estejam na mesa."
O
presidente Lula afirmou ainda que pretende tratar com o governo norte-americano
de temas como indústria, mineração, investimentos e exportações, mas reforçou
que a soberania do Brasil é um assunto inegociável.
Por:
Sayonara Moreno/Rádio Nacional
Fonte:
Radioagência Nacional