Empresas
que testaram a escala 5x2 já veem aumento de produtividade.
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| © VALTER CAMPANATO/AGÊNCIA BRASIL |
Trabalhar
domingo é dobrado, não sei o quê... isso é legal. O lado ruim é justamente o
social, que às vezes a gente não consegue participar de um aniversário, ou de
não conseguir fazer uma consulta. Eu raramente também fazia uma consulta”.
“Eu
acho que o trabalhador merece um pouquinho mais de qualidade de vida. Ele já
passa muito tempo da vida dele ali no ambiente de trabalho”.
“Realmente
é legal. É muito mais convidativo ficar em casa sábado e domingo. Mas ninguém
fala de onde vai encaixar economicamente a falta desse dia trabalhado. Então,
dado ao cenário do Brasil, eu não sou a favor, não”.
“Eu
trabalhava 44 horas semanais durante o tempo que fui CLT e eu via como era
desgastante, né? Imagina viver na escala 6x1. A pessoa não tem possibilidade
nenhuma de aproveitar a vida”.
“Não
é nem questão de salário em si, é mais pela questão de qualidade de vida mesmo,
descanso mental. Agora, a questão de salário em si, foi legal deles colocarem
em pauta também de não abaixar, né? Aumentar, deixar na mesma medida também. Eu
sou garçom, amigo. Então é 6x1 ou, dependendo, é 7x0”.
Fora
o debate nas ruas, entidades representativas se posicionaram contra. A
Confederação Nacional da Indústria calcula perda de R$ 76 bilhões. A
Confederação do Comércio disse que os preços podem subir 13% com a mudança da
jornada.
Mas
algumas empresas resolveram testar a escala 5x2, como a rede de supermercados
Pague Menos, no interior de São Paulo. A rede começou um projeto piloto em
janeiro deste ano, que está em oito lojas no momento, mas pretende alcançar 16
unidades no primeiro semestre, o que representa 3.200 funcionários. São 44
horas semanais em cinco dias de trabalho, ajuste que precisou de muito diálogo
com os trabalhadores e a revisão de processos e escalas, já que tem menos gente
nas lojas durante o dia, como explica o diretor de gente e gestão da Pague
Menos, Fernando Carneiro.
“E
para o próprio colaborador, ele saiu de uma jornada diária de 7 horas e 20
minutos na escala 6x1 para uma jornada diária de 8 horas e 48 minutos. Então,
evidentemente que nós tivemos que ouvir os colaboradores, ajustar as escalas,
né? Para que a vida pessoal dele, embora toda a questão positiva de ter mais
folgas não fosse prejudicada pelo aumento da jornada diária.
A
avaliação dos resultados é gradual porque o tempo de amostragem ainda é pouco,
mas está mais fácil atrair candidatos.
“Quando
a gente divulga uma vaga, há um aumento considerável do número de candidatos
interessados pelas vagas, o que nos faz preencher mais rapidamente as posições
que nós temos em aberto. Tivemos uma ligeira queda do índice de absenteísmo,
que é muito importante, porque as pessoas passam a ter mais dias de folga na
semana para cuidar das questões pessoais ou da saúde. O turn over, neste
primeiro instante, se manteve estável.
O
doutor em economia Marcelo Manzano, diretor do Centro de Estudos Sindicais e de
Economia do Trabalho da Unicamp, diz que o Brasil é capaz de absorver a redução
da jornada. A adaptação vai depender de cada setor e cada empresa. Para ele, o
funcionário descansado deve levar ao aumento da produtividade.
“Se
a pessoa trabalha menos horas na semana, ela tende a, quando estiver
trabalhando, a ter um desempenho melhor. Inclusive esta é uma das razões que,
indiretamente, afeta também o aumento da produtividade. Não é possível dizer
qual é o impacto em termos financeiros do que isso significa, mas não resta
dúvida de que esse benefício haverá. E esse benefício, em última instância,
retorna para o próprio bom desempenho da empresa”.
O
professor ainda disse não acreditar que a escala com um dia a mais de descanso
vá provocar um aumento da informalidade. Pelo contrário: onde houve a redução
da jornada, o mercado é mais formalizado.
Por: Gabriel
Brum - Com produção de Daniel Lima/Rádio Nacional
Fonte:
Radioagência Nacional

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