segunda-feira, 27 de outubro de 2025

ESTATÍSTICAS DE HOMICÍDIOS NO PARÁ: QUEDA CONTÍNUA

Imagem: Ilustração
Belém (PA) – O estado do Pará tem registrado uma redução significativa nos índices de homicídios nos últimos anos, posicionando-se entre as unidades federativas com os maiores avanços na segurança pública no Brasil. De acordo com dados do Atlas da Violência 2025, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o número de homicídios no estado caiu 25,3% entre 2013 e 2023, passando de 3.404 para 2.542 casos. Essa tendência de declínio é atribuída a investimentos em políticas integradas de segurança, como o programa "Territórios pela Paz" (TerPaz), lançado em 2019 e consolidado como política pública estadual.

Evolução Histórica dos Homicídios no Pará

Os dados oficiais, compilados a partir do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde e de relatórios criminais estaduais, revelam uma queda consistente desde o pico de violência em 2017. Abaixo, uma tabela resumindo o número absoluto de homicídios e a taxa por 100 mil habitantes (considerando uma população estimada em cerca de 8,6 milhões de habitantes em 2023, segundo o IBGE):

Ano

Número de Homicídios

Taxa por 100 mil habitantes

Variação em relação ao ano anterior

2013

3.404

~39,6

-

2017

4.575

54,7

+ (pico histórico)

2022

2.901

32,9

-36,6% (em relação a 2017)

2023

2.542

~29,6

-12,4% (em relação a 2022)

2024

~2.300 (estimado)

~26,7

-9,5% (projeção baseada em semestres)

Fontes: Atlas da Violência 2025 (Ipea/FBSP) ; Secretaria de Segurança Pública do Pará (Segup) . Nota: Os valores para 2024 são parciais, baseados em relatórios semestrais da Segup, que indicam 880 Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) no primeiro semestre, com homicídios dolosos representando cerca de 91% desse total.

Entre 2018 e 2023, o Pará liderou a redução percentual de homicídios entre as unidades federativas, com queda de 43,9% – acima da média nacional de 21,1%. Essa performance posicionou o estado como o quarto com maior declínio no período, atrás apenas de Sergipe, Tocantins e Rio Grande do Norte. Em termos absolutos, a redução de 2017 a 2022 preservou mais de 1.600 vidas, segundo o Monitor da Violência do G1.

Fatores Contribuintes para a Redução

A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Pará (Segup) atribui os resultados a uma estratégia multifacetada:

  • Investimentos em Inteligência e Tecnologia: Implantação de sistemas como a Inteligência Artificial para Análise de Riscos e Assistente Virtual (IARA), que automatiza denúncias anônimas e agiliza investigações.
  • Programas de Prevenção Social: O TerPaz, atuante em áreas vulneráveis como Belém e Marabá, combina policiamento ostensivo com ações sociais, reduzindo disputas entre facções criminosas.
  • Queda em CVLI: Pelo quinto ano consecutivo, os Crimes Violentos Letais Intencionais (que incluem homicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte) caíram 36% entre 2017 e 2022, de 54,7 para 32,4 por 100 mil habitantes .
  • Envelhecimento Populacional e Pactos Criminosos: Fatores nacionais, como o envelhecimento da população (reduzindo o perfil de vítimas jovens) e pactos informais entre organizações criminosas (como PCC e Comando Vermelho), também influenciam o cenário local .

No primeiro semestre de 2025, o estado registrou a maior redução histórica de CVLI desde 2010, com 880 casos – 59,1% menos que em 2018 e 9,5% menos que em 2024. A taxa de homicídios dolosos caiu para 9,15 por 100 mil habitantes, contra 10,32 no semestre anterior .

Desafios Persistentes

Apesar dos avanços, o Pará ainda enfrenta taxas acima da média nacional (21,2 por 100 mil em 2023). Regiões como o sudeste paraense (incluindo Marabá) concentram os maiores índices, impulsionados por disputas no tráfico de drogas e mineração ilegal. Além disso, 94% das vítimas são homens, e 47,8% têm entre 15 e 29 anos, destacando a vulnerabilidade da juventude . O Atlas da Violência estima "homicídios ocultos" (mortes mal classificadas como acidentais) em até 10% dos casos, o que pode subestimar o total real.

Em 2024, o estado registrou 593 mortes por intervenção policial, o quarto maior número no país, atrás de Bahia, São Paulo e Rio de Janeiro . Isso reforça a necessidade de reformas na letalidade policial, como preconizado pela ADPF das Favelas do STF.

Perspectivas para 2025

Com a data atual de 27 de outubro de 2025, os dados parciais do ano indicam continuidade na queda, com foco em municípios de alto risco. O governo estadual planeja expandir o TerPaz para mais 20 localidades, integrando educação e emprego juvenil. Especialistas do Ipea enfatizam que a sustentabilidade depende de políticas multissetoriais, incluindo prevenção à violência contra negros e mulheres, cujas taxas de vitimização permanecem desproporcionais (28,9 por 100 mil para negros, contra 10,6 para não negros) .

O Pará serve como modelo para o Norte e Nordeste, regiões historicamente mais violentas, mas os desafios regionais demandam ação federal coordenada. Para mais detalhes, consulte o Atlas da Violência 2025 no site do Ipea.

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