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| Imagem: Ilustração |
Evolução Histórica dos Homicídios no Pará
Os dados
oficiais, compilados a partir do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM)
do Ministério da Saúde e de relatórios criminais estaduais, revelam uma queda
consistente desde o pico de violência em 2017. Abaixo, uma tabela resumindo o
número absoluto de homicídios e a taxa por 100 mil habitantes (considerando uma
população estimada em cerca de 8,6 milhões de habitantes em 2023, segundo o
IBGE):
|
Ano |
Número de Homicídios |
Taxa por 100 mil habitantes |
Variação em relação ao ano anterior |
|
2013 |
3.404 |
~39,6 |
- |
|
2017 |
4.575 |
54,7 |
+ (pico
histórico) |
|
2022 |
2.901 |
32,9 |
-36,6% (em
relação a 2017) |
|
2023 |
2.542 |
~29,6 |
-12,4% (em
relação a 2022) |
|
2024 |
~2.300
(estimado) |
~26,7 |
-9,5%
(projeção baseada em semestres) |
Fontes:
Atlas da Violência 2025 (Ipea/FBSP) ; Secretaria de Segurança Pública do Pará
(Segup) . Nota: Os valores para 2024 são parciais, baseados em relatórios
semestrais da Segup, que indicam 880 Crimes Violentos Letais Intencionais
(CVLI) no primeiro semestre, com homicídios dolosos representando cerca de 91%
desse total.
Entre 2018 e
2023, o Pará liderou a redução percentual de homicídios entre as unidades
federativas, com queda de 43,9% – acima da média nacional de 21,1%. Essa
performance posicionou o estado como o quarto com maior declínio no período,
atrás apenas de Sergipe, Tocantins e Rio Grande do Norte. Em termos absolutos,
a redução de 2017 a 2022 preservou mais de 1.600 vidas, segundo o Monitor da
Violência do G1.
Fatores Contribuintes para a Redução
A Secretaria
de Segurança Pública e Defesa Social do Pará (Segup) atribui os resultados a
uma estratégia multifacetada:
- Investimentos em
Inteligência e Tecnologia: Implantação de sistemas como a Inteligência Artificial para
Análise de Riscos e Assistente Virtual (IARA), que automatiza denúncias
anônimas e agiliza investigações.
- Programas de Prevenção
Social: O
TerPaz, atuante em áreas vulneráveis como Belém e Marabá, combina
policiamento ostensivo com ações sociais, reduzindo disputas entre facções
criminosas.
- Queda em CVLI: Pelo quinto ano consecutivo, os Crimes
Violentos Letais Intencionais (que incluem homicídios, latrocínios e
lesões corporais seguidas de morte) caíram 36% entre 2017 e 2022, de 54,7
para 32,4 por 100 mil habitantes .
- Envelhecimento Populacional
e Pactos Criminosos:
Fatores nacionais, como o envelhecimento da população (reduzindo o perfil
de vítimas jovens) e pactos informais entre organizações criminosas (como
PCC e Comando Vermelho), também influenciam o cenário local .
No primeiro
semestre de 2025, o estado registrou a maior redução histórica de CVLI desde
2010, com 880 casos – 59,1% menos que em 2018 e 9,5% menos que em 2024. A taxa
de homicídios dolosos caiu para 9,15 por 100 mil habitantes, contra 10,32 no
semestre anterior .
Desafios Persistentes
Apesar dos
avanços, o Pará ainda enfrenta taxas acima da média nacional (21,2 por 100 mil
em 2023). Regiões como o sudeste paraense (incluindo Marabá) concentram os
maiores índices, impulsionados por disputas no tráfico de drogas e mineração
ilegal. Além disso, 94% das vítimas são homens, e 47,8% têm entre 15 e 29 anos,
destacando a vulnerabilidade da juventude . O Atlas da Violência estima
"homicídios ocultos" (mortes mal classificadas como acidentais) em
até 10% dos casos, o que pode subestimar o total real.
Em 2024, o
estado registrou 593 mortes por intervenção policial, o quarto maior número no
país, atrás de Bahia, São Paulo e Rio de Janeiro . Isso reforça a necessidade
de reformas na letalidade policial, como preconizado pela ADPF das Favelas do
STF.
Perspectivas para 2025
Com a data
atual de 27 de outubro de 2025, os dados parciais do ano indicam continuidade
na queda, com foco em municípios de alto risco. O governo estadual planeja
expandir o TerPaz para mais 20 localidades, integrando educação e emprego
juvenil. Especialistas do Ipea enfatizam que a sustentabilidade depende de
políticas multissetoriais, incluindo prevenção à violência contra negros e
mulheres, cujas taxas de vitimização permanecem desproporcionais (28,9 por 100
mil para negros, contra 10,6 para não negros) .
O Pará serve como modelo para o Norte e Nordeste, regiões historicamente mais violentas, mas os desafios regionais demandam ação federal coordenada. Para mais detalhes, consulte o Atlas da Violência 2025 no site do Ipea.

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