Empresário
refuta acusações e recusa responder a perguntas de deputado
 |
| FOTO: © LULA MARQUES/ AGÊNCIA BRAASIL |
Logo
no começo do depoimento, Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, negou
que suas empresas tivessem qualquer envolvimento com descontos irregulares e
aposentadorias e pensões. Ele disse que nunca teve relação com o governo em
qualquer esfera ou com o setor público e que sempre atuou no setor privado,
prestando serviço para as associações. E que nunca teve qualquer interferência
no sistema da Previdência Social:
"A minha empresa sempre prestou o serviço às
associações, tendo como destinatário final um aposentado associado, mas sem
qualquer ingerência ou responsabilidade sobre os descontos incidentes em seus
benefícios previdenciários. Tais descontos eram realizados diretamente pelas
associações. Assim, caso algum aposentado tenha sofrido os descontos indevidos,
a responsabilidade a ser apurada recaí sobre as associações que eventualmente
promoveram a inclusão dessas pessoas em seus quadros associativos e sem a
devida anuência e jamais sobre a minha empresa."
Mas,
antes disso, ele se preocupou em esclarecer o apelido que recebeu e pelo qual
ficou conhecido. Afirmou que, quem criou essa denominação foi o advogado Eli
Cohen, autor de denúncias de descontos indevidos e que prestou depoimento à CPI
no início do mês:
"Hoje terei a oportunidade de mostrar que
jamais fui esse personagem fictício, o chamado 'Careca do INSS', rótulo criado
por o senhor Eli Cohen, que induziram pessoas de bem, veículos de comunicação
respeitados, profissionais de imprensa e toda a sociedade a acreditar em uma
narrativa fantasiosa."
Ia
tudo bem, até que ao final da fala inicial, o Careca do INSS afirmou que não
iria responder às perguntas do relator, o deputado Alfredo Gaspar, do União de
Alagoas, porque o parlamentar, em um outro depoimento à CPI, tinha chamado ele
de ladrão:
"Ou seja, o relator já me julgou e condenou
sem sequer me ouvir e por isso não responderei as perguntas de sua Vossa
Excelência. Tal conduta, segundo meus patronos, revela a quebra da
imparcialidade que se espera de um agente público responsável pela apuração de
eventual infração penal."
E
aí, foi aquela confusão. O advogado querendo pedir fala, presidente suspendendo
a reunião por alguns minutos, todo mundo em pé e falando ao mesmo tempo… Até
que, por fim, o relator falou:
"Não vai ser a voz deste parlamentar que
nenhum advogado pago com dinheiro roubado do povo brasileiro."
E
aí, começaram as perguntas. O relator sempre chamando o depoente de
"Careca do INSS”.
Perguntas
sobre movimentação financeira, como por exemplo, os R$ 12 milhões que
movimentou no intervalo de 150 dias e o crescimento patrimonial. Segundo o
relator, entre abril e julho do ano passado, teve um acréscimo patrimonial de
R$ 14 milhões. Perguntas que ficaram sem resposta na CPI mista.
Mas
antes do depoimento, os parlamentares aprovaram alguns requerimentos. Entre
eles, o pedido de prisão preventiva e de quebra de sigilo bancário e fiscal de
Nelson Wilians Fratoni Rodrigues, advogado ligado ao empresário Maurício
Camisotti, investigado também por participação no esquema.
Na
semana passada, Nelson Wilians prestou depoimento protegido por um habeas
corpus, se recusou a assinar o termo de compromisso com a verdade e negou
qualquer envolvimento nas irregularidades.
Por:
Priscilla Mazenotti//Rádio Nacional
Fonte:
Radioagência Nacional